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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Hiperrelatividade


Estou relativamente bem,
Relativamente feliz
(talvez nem tanto, por instantes,
até, relativamente triste)
Relativamente aqui,
embora, relativamente lá
Relativamente trabalhando
mas, também, relativamente nem tanto
Relativamente criativa
e em outros tantos segundos,
relativamente bloqueada
Relativamente comprometida,
se bem que relativamente desimpedida
Relativamente confiante,
ainda que relativamente desconfiada,
Relativamente impaciente
mas, relativamente esperando,
(embora já quase deitada!)
ABSOLUTAMENTE zonza!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Rainhas, Princesas, Gatas e Boneca


Para aquele que além de Rainhas,
Princesas e Gatas, também tem a Boneca
Porque a vida que é vida,
que não é mera sobrevivência,
ácida, árida,
cede espaço ao sonho
O sonho não tira,
acrescenta, nutre, alimenta,
enche de vida!
A vida que vale ser vivida,
não faz prender o fôlego,
não induz ao medo, ao receio,
à exclusão da identidade,
à retirada abrupta do tempo,
do chão, da alegria
De que vale a vida nefasta, sombria,
taciturna?
A vida que, de fato, se propõe a ser vida,
em nada se assemelha aos arames que cerceiam,
que estrangulam o amor, massacram almas
O amor precisa de oxigênio, é algo vivo e
como tal, precisa respirar
Se mete-lhe uma cúpula em cima,
não se excluem os riscos,
abafa-o, fenesce...

domingo, 28 de setembro de 2008

Es-feras



Esferas coloridas,
milhões delas imersas
num corpo, como num
copo de cristal
Cintilantes e belas
Circulares e perfeitas
Mil matizes, reflexos delicados

que se movem em giros completos
Corpos que se cruzam,
chocam-se, despedem-se
Unem-se, coexistem,
Revelam-se,
Esplendor quase etéreo

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Os sonhos e os dados

Os sonhos já foram sonhados
antes mesmo do lançamento dos dados
Palavras que correm tão rápidas
quanto pensamentos

Olhos que não mais se olharam
se procuram, se caçam, não se encontram
Rostos ao acaso numa tela branca

Asas sutis, pousos suaves
turbulências, ventos mornos
Espaço, atemporalidade
Realismo e surrealismo,

co-existência perturbadora

domingo, 3 de junho de 2007

Ao vento


Entre os cacos de vidro vislumbro alguma beleza
os fragmentos que buscam ferir também possuem cores vibrantes
Reflexos de promessas, qualquer coisa vaga que se pode partir num instante
Qualquer coisa que se busque ou se encontre sem querer
O efêmero que é a própria essência da vida
e efêmero que é a própria razão de ser
e que por assim ser, evoca o vento
Os dias que passam e aqueles que na memória ficam
mas que de qualquer forma, também passam
As palavras que cortam, as palavras que beijam
as vazias e as carregadas de emoção, mas todas elas palavras
só se tornando algo maior quando o tempo lhes empresta significado
As feridas que ainda sangram e também aquelas já cicatrizadas
todas elas doeram, por todas elas sofremos, por todas elas choramos
a diferença são os vôos do vento
E com o vento fico nesta tarde vazia
que em nada seduz, apenas uma sombra no rosto

sábado, 2 de junho de 2007

Mistérios


Será mesmo que o jogo era só de palavras?
As pistas estão por aí
Flutuando no ar, no tempo, ao vento
Vem comigo?
Agarre sua resposta se puder
Desta vez você dá as cartas
O jogo que você joga eu
jogo há muito tempo
E no entanto não quer dizer que
seja só um jogo
Te descobrir me agrada
Me achar refletida no brilho
dos teus olhos me alegra
Vencer ou ser vencida?
Nenhuma das duas alternativas
sequer passou pela minha cabeça...