...Sobre sensatez, eternidade, instantaneidade e a inexistência da perfeição e do real
A Multiplicidade do Real - Paulo Leminski*
Que existe mais, senão afirmar a multiplicidade do real? A igual probabilidade dos eventos impossíveis? A eterna troca de tudo em tudo? A única realidade absoluta? Seres se traduzem. Tudo pode ser metáfora de alguma outra coisa ou de coisa alguma. Tudo irremediavelmente metamorfose!
Eu, o vento - Mário Nhardes**
Que sou calmo e violento, sou vendaval e brisa que a mercê da vida, às vezes sou conforto, às vezes incômodo. Às vezes paz, às vezes caos.
Eu, o vento, que sou incolor e frio, sou calor e sangue, que a mercê da vida, às vezes sou dor, às vezes rotina. Às vezes sou morte, às vezes vida.
Eu, o vento, que sou órfão e só, sou carinho e carente, que a mercê da vida, às vezes sou colheita, às vezes plantio. Às vezes sou notado, às vezes esquecido.
Eu, o vento, que sou força e anemia, sou opressor e vítima, que a mercê da vida, às vezes sou vento, simplesmente.
Rabichos compridos colorindo a vida, Fitas de cetim Cartas fechadas, imaculadas, intactas Segredos não revelados de quem diz tanto sem nunca dizer Estilhaço de passado Estopim de emoções Damas e reis que não se escondem em mangas, Vivem, gargalham, sonham e por vezes choram, de saudade...
Uma obra de arte deve levar um homem a reagir, sentir sua força, começar a criar também, mesmo que só na imaginação. Ele tem de ser agarrado pelo pescoço e sacudido; é preciso torná-lo consciente do mundo em que vive, e, para isso, primeiro ele precisa ser arrancado deste mundo.
* O pintor nasceu em Málaga, em 1881 e morreu em 1973, em Paris. Produziu desde os oito até os noventa e um anos de idade, passando também pela escultura e cerâmica. Entre 1907 e 1908, criou o cubismo, junto com o pintor francês, Georges Braque. Particularmente, não gosto de sua obra, mas sua definição de arte é fantástica.
"Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas. O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?"
Oscar Wilde** e a "indispensável" mediocridade:
"A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular é indispensável ser medíocre."
*O polonês Arthur Schopenhauer (1788-1860), grande observador do comportamento humano, foi conhecido pelo seu pessimismo. O filósofo que combateu Hegel e influenciou Nietzsche teve como ponto de partidade de seu pensamento, a filosofia kantiana.
**Oscar Wilde (1854-1900) é o autor de"A importância de ser fervoroso", "Salomé", "Balada do Cárcere de Reading", além do célebre romance "O retrato de Dorian Gray". Wilde foi condenado em 1895 a dois anos de prisão sob a alegação de ter "cometido atos imorais com diversos rapazes". Além de consumir sua reputação, o cárcere também acabou por roubar-lhe a saúde.
Uma brasileira de origem e alma, indiscutivelmente, toscanas! Apaixonada por essa terra "pluriforme", "pluribela", "plurifascínio". (Una brasiliana di origine e anima, indiscutibilmente, toscane! Innamorata per questa terra "pluriforme", "pluribella", "plurifascino".)