domingo, 27 de abril de 2008

Cera

A chama tremulando em intervalos regulares
me faz entender que a vela quer se apagar
A mesma vela cujo calor costumava me abraçar
de um modo tão singular...
E parece que sou eu toda feita de cera
algo derretido, desmanchado, convulcionado
Dedos que não sabem onde se agarrar
fios que parecem sutis demais
Destino que se turva, ferida que se abre
olhos mornos, ou seriam mortos?
Dúvidas imperiosas, medo...

terça-feira, 15 de abril de 2008

Alucinógeno

Acorde, Alice!
Outra vez mergulhada em devaneios?
Outro chá a convite do
Chapeleiro Maluco?
Um pequeno acontecimento
capaz de soltar as engrenagens do mundo!
Num instante tenho três metros de altura
e a Lebre de Março me conta
que são 6 horas da tarde
Certos instantes perfeitos que mereceriam
uma pausa mais longa
Um Gato Que Ri
uma, duas, dez mil vezes seguidas
da ironia das circunstâncias
Enquanto o Coelho Branco,
um tanto encardido que se fez seguir
desaparece no horizonte
A Lagarta Bill me enerva,
pois limita-se a observar a exaustão
de cores que se estende diante de mim
do alto de seu gordo cogumelo alucinógeno
O jogo começa, mas uma vez que não tem objetivos
definidos, também não pode ter um fim...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Com a alma no bolso

As velhas resoluções evaporaram
Olhos que só enxergam em P&B
Pele fria, músculos retesados
Calafrio...
Paixão que se esvai - hemorrágica
Junto as mãos em concha,
aperto o torniquete,
Guardo a alma no bolso
respiro fundo, fecho os olhos
Reponho entranhas no lugar,
passo a língua pelas próprias feridas
Reencontro minhas asas amarfanhadas
Me estendo ao Sol, preparo o vôo



sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Para sempre 16



Menino querido, para sempre menino nas minhas lembranças
Não me importa que seja já um homem,
para sempre vou elogiar teu cabelo!
Talvez para te infernizar, talvez para roubar um sorriso...
Esta noite indiferente me inspira um único desejo
Que nunca te faltem forças para ser feliz
Porque, meu querido amigo, não deve contentar-se com nada menor que a plenitude
Tomo a liberdade de me apoderar de algumas palavras, outrora tuas, para dar o meu recado
Não espere a nuvem passar para poder enxergar
Você cresceu querido, tome tua vida nas mãos,
Abane as nuvens do caminho
Se você quer mais, vá e tome
O tempo sempre é curto, mas sempre há tempo
Speed Bee (quero mais um sorriso!) qualquer que seja sua decisão estarei do seu lado e você sabe o quanto isso vem da alma.

sábado, 11 de agosto de 2007

Agosto


Não baby, não vou te prender ao meu lado
Meu amor não tem correntes
A minha certeza não é mãe das tuas dúvidas
Mas sabe, certas dores paralisam,
congestionam, embotam as palavras
Minha razão, infelizmente, tem asas como as da galinha
insuficientes para voar tão alto quanto minhas emoções
Coração se contorce modelável,
espremido na carne clara amedrontada
Quero ser leveza, quero ser beleza
Leito macio onde repousar tuas dores
Tenho horror aos travos,
aos frios que dão na alma,
aos pacotes despedaçados
Tenho horror ao que é imposto
e por isso não imponho a mim mesma